7 de maio de 2009

A mão que embala o berço


Se elas fossem remuneradas por horas de trabalho, nem todo o dinheiro do Fundo Monetário Internacional poderia pagar o valor da mão-de-obra das mães. É um ofício que, uma vez iniciado, não tem férias, recesso, greve, paralisação, nenhum dos movimentos típicos dos demais trabalhadores.

E olha que mãe trabalha! As horas de transpiração começam a partir do momento que o espermatozóide se apaixona pelo óvulo, invade a casa e, finalmente, nasce o embrião.

O trabalho e canseira se estendem ao longo dos nove meses quando o novo habitante faz manha, provoca enjôos, desejos, faz do útero um campo de futebol e tudo o mais.


Na hora de, finalmente, vir ao mundo aí, o sufoco é geral. Gritos, gemidos, sangue, suor e lágrima. É claro que a mãe é a grande protagonista da cena, mas o novo terráqueo provoca uma expectativa absurda na sala de espera. Os familiares e amigos mais próximos aguardam ouvir o choro ou o relatório de alguém da equipe médica com a conjugação do verbo nascer já no tempo passado: 'Nasceu!!!'

Ouvindo isso, trocam beijos, abraços, gritam, choram, batem palmas, pulam. Enquanto comemoram, a trabalhadora está extasiada na cama. Descabelada. Suada. E com o fruto do seu ventre entre os braços. Recuperados do laborioso ato de nascimento, é hora de estar em casa. Descanso? Imagina! Aí é que o calo aperta. O novo cidadão do mundo só quer saber de mamar, sujar fraldas, sentir-se sempre limpinho e cheiroso.

Por não saber que o mundo gira em torno de um objeto chamado relógio, o pequeno ser não escolhe hora para chorar. Manhã, tarde, noite, madrugada todo tempo é tempo de dar trabalho para a pessoa que ele só identifica pelo cheiro da mama num primeiro momento.

A jornada de trabalho interminável se estende por toda a vida. Primeira infância, adolescência, juventude e até na velhice dos filhos, as mães que tem vida mais longa, estão sempre presentes. Elas levam à risca a expressão: "Filhos criados, trabalho dobrado". Parece nunca se importarem mesmo com as lágrimas de dor que, muitas vezes, fazemos verter dos seus olhos. Elas preferem celebrar as lágrimas que já rolaram pela alegria de gerar seus filhos e criá-los, não para si, mas para o mundo.

A essas verdadeiras heroínas rendo minha homenagem, grato a Deus por usufruir a companhia e afeto da minha mãe que, abaixo das nuvens, é meu maior tesouro. 

1 comentários:

Tatiana Rodrigues disse...

Lindo texto Manu, mães realmente são grandes anjos que muitas vezes deixam de "viver" para servir.
Um forte abraço em Cristo.
Thaty

 
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