Vamos filosofar

Não sou filósofo com anel no dedo e diploma na parede mas, temos a nossa famosa 'filosofia de vida'. Comecei a observar e interrogar a algumas pessoas sobre o que conversamos em família. Infelizmente, a grande maioria das pessoas acabam por confessar que os assuntos giram em torno das contas a pagar, os problemas de disciplina dos filhos na escola, as intrigas e fofocas do trabalho, os problemas da vida coletiva como água, esgotos, coleta do lixo... Em síntese, jogamos fora muito do nosso tempo reclamando dos diversos problemas do cotidiano, ao invés de falar ou pensar em coisas boas.

A pressão do cotidiano, a necessidade de manter-se como o melhor funcionário, cumprir prazos, atingir metas, tudo isso vai nos envolvendo sorrateiramente e, quando menos percebemos, nos tornamos o exemplo máximo de como não se deve viver. É fácil resolver isso? Não. Perdoem-me pela franqueza. Mas, não acredito ser impossível. Há esperança.

Vou tomar emprestado o pensamento do maior anunciador do Evangelho da Graça depois de Cristo, o apóstolo Paulo. Ele entrou na narrativa bíblica como um homem violento, sanguinário, cruel, de mente pequena e visão curta. Entretanto, aprendeu e repassou o princípio de sempre reciclar a mente. Para tanto, é preciso pensar nas coisas que são verdadeiras, honestas, justas, puras, amáveis, de boa fama, que tenham alguma virtude e que tenham algum louvor (Carta aos Filipenses 4:8).

Se começarmos a pensar e conversar sobre coisas dessa natureza como recomendou o apóstolo Paulo, estaremos aprendendo a filosofar. Faça isso em casa, no trabalho (quando puder, é claro), no passeio com os amigos, com os filhos, com a esposa.

Eleve seu espírito. Não se deixe levar pela ditadura dos padrões de beleza e qualidade de vida impostos pela mídia. Há um mundo rico, real e prazeroso a partir do pensamento. Pense, reflita e compartilhe seu aprendizado. Isso vai lhe fazer muito bem e todos que estão à sua volta serão enriquecidos juntamente com você.

Quanto vale um amigo?

Esse tema parece trivial e, no estresse do cotidiano, se tornou, para alguns, banal. Ouso dizer 'alguns' pra não ser pessimista e afirmar 'todos' ou 'a maioria'. Prefiro crêr no belo e não me render ao feio. Contudo, reconheço que vivemos numa situação em que não temos ou não queremos ter tempo para os amigos.

Nunca podemos ligar, escrever, visitar... Em tempos modernos: mandar um scrap no orkut, e-mail, torpedo etc. Na maioria das vezes que lembramos de alguém ou é por interesse pessoal ou por tragédia (alguém morreu, ficou doente, sofreu acidente) e isso quando se importa de saber ao menos como curioso. Sejamos francos: temos sido péssimos amigos!

Esse tema da amizade é tão importante para a saúde mental e espiritual do homem que a própria Bíblia não deixou de registrar fatos importantes relacionados a isso. Citou, por exemplo, que Abraão, o grande patriarca dos hebreus, foi reconhecido como amigo de Deus. Jesus, falando aos 12 apóstolos, afirmou: "Já não vos chamo servos... mas chamei-vos amigos...".

Salomão, também disse que "O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão." Ora, sendo a amizade um tema tão nobre, vale a pena investir nela. Não quero ser utópico. Nem todos são amigos de fato, que o diga Jesus Cristo, traído pelo próprio tesoureiro! Mas, se nos fecharmos e nos privarmos de boas amizades por causa dos que foram traídos ou que nos traíram, que faremos?
Vamos nos isolar do mundo? Tentar viver em um circuito fechado, restrito e patenteado com as pessoas de ligação sangüínea?

Se respondermos sim a essas alternativas, estamos optando por viver fora das possibilidades que o Criador traçou para a vida do ser humano. Por nos criar com necessidades de agregação, Deus nos dotou de capacidades para superar as dificuldades que surgem nos relacionamentos e criou no homem mecanismos na mente e no corpo que são curados, estimulados e revitalizados graças ao toque, ao sorriso e ao estender das mãos de um amigo.

Por valorizar seus amigos, o próprio Cristo afirmou que dava a sua vida por eles. E você, o que aceita fazer pelos seus amigos? Não precisa morrer por nenhum deles, Jesus já fez isso! Mas sugiro que ao menos diga o quanto eles são importantes pra você.

Qual o valor do homem?

O valor de uma pessoa depende do valor que ela dá aos outros

 
 

"Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês." (Mateus 7:12 - versão na Linguagem de Hoje). Essa foi uma das muitas frases curtas e incisivas de Jesus, o Cristo, acerca de relacionamento humano.

Embora o texto seja milenar, esteja registrado no livro com mais exemplares publicados no mundo e em uma enorme variedade de idiomas, dialetos e versões, a prática do ensino, no fim das contas, fica bem distante do nosso cotidiano.

Na prática, damos desprezo e queremos reverência, somos antipáticos e queremos simpatia, maltratamos e queremos ser bajulados, abatemos e queremos ser levantados, humilhamos e queremos ser exaltados. Este tipo de comportamento revela que não entendemos o princípio cristão e permite às pessoas em volta saberem qual o nosso real valor.

A sociedade dos homens já viveu a experiência vergonhosa de enfileirar semelhantes –a maioria negros– observar-lhes os dentes, o porte físico e fixar o "valor de mercado". Quem podia comprar o melhor escravo ou escrava, mostrava a sua riqueza e poder social além de deixar testemunho para a história da sua pequenez e pobreza espiritual.

Não mais vendemos ou compramos seres humanos nas praças públicas, ao menos não nos moldes de antigamente. Digamos que modernizamos a forma de nos comercializarmos. Ficamos mais 'requintados'.

Hoje, medimos roupa, óculos, cinto, sapato, carro, casa, cargo, salário, conta bancária e, a partir destes itens, costuma-se definir se a pessoa 'é de berço', se 'tem sangue azul'. Mediante a análise das posses e atribuição dos valores morais e sociais, abrimos ou fechamos as portas para os relacionamentos.

Outra forma de 'comprar' ou 'vender' os homens é o uso da escala de vantagem, isto é, 'quanto eu ganho com você?'. Só se quer estar ou manter perto aquele que oferece condições de promoção no emprego, ganhos financeiros, ascensão social, que aceita parceria para a corrupção, mentira, roubo, traição etc.

Quem utiliza qualquer um dos critérios acima em maior ou menor grau, deixa claro o quanto vale: NADA! Não vale nada a pessoa que vê no próximo apenas um degrau a ser pisado para permitir sua subida. Não vale nada aquele que precisa de dinheiro para conquistar seguidores e viabilizar a concretização de suas idéias. Como também não vale nada aquele que se permite ser comprado.

O valor de uma pessoa é exatamente proporcional ao valor que ela atribui aos outros. Portanto, mesmo vinte séculos depois do que foi dito por Cristo, acredito que ainda valha a pena fazer aos outros aquilo que desejamos para nós.

 
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